(...) Tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança temendo pecados, punições de anjos vingadores como espadas flamejantes, prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo, e escapo brusco para que percebas que mal suporto a tua presença, veneno veneno, às vezes digo coisas ácidas e de alguma forma quero te fazer compreender que não é assim, que tenho um medo cada vez maior do que vou sentindo em todos esses meses, e não se soluciona, mas volto e volto sempre, então me invades outra vez como o mesmo jogo e embora suponho conhecer as regras, me deixo tomar inteiro por tuas estranhas liturgias, a compactuar com os teus medos que não decifro, a aceitá-los como um cão faminto aceita um osso descarnado, essas migalhas que vais jogando entre as palavras e os pratos vazios, torno sempre a voltar...
Tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que me têm alimentado ao longo deste tempo, e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o perigo aumenta e sem me conter te assaltaria feito um vampiro faminto para te sangrar e te deixar mudo, sem nenhuma história a te esconder de mim, enquanto meus dentes penetrando nas veias da tua garganta arrancassem do fundo essa vida que me negas delicadamente...
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