Já não tenho boas palavras.
Cada manhã se torna vazia. E cada palavra dita, sem sentido.
Ando por ai procurando um rosto que eu sei que não sorrirá para mim.
E os projetos que tanto fiz questão de fazer,
em minha mesa cheia de poeira estão.
em minha mesa cheia de poeira estão.
Os papéis amassados de cartas que tentei escrever
já não cabem mais em minha lixeira.
já não cabem mais em minha lixeira.
A porta se manteve destrancada,
mesmo sabendo que aquele alguém possui as chaves.
mesmo sabendo que aquele alguém possui as chaves.
Talvez eu tenha sido colocada no piloto automático, pois outro dia encontrei um manual de instruções ao lado de minha cama.
Receosa, me pus a ler. Descobri tanta coisa sobre mim mesma.
Ao fim da tarde uma angústia me toma.
Uma louca vontade de gritar um nome.
Um nome talvez já esquecido, por tanto tempo ter passado.
O medo por chegar o amanhã.
Aquele vazio, aquela manhã árida.
Já não encontro palavras nas quais eu possa me basear.
Talvez eu consiga sair do piloto automático.
Retorne aos meus projetos e limpe tudo.
Deixarei a porta trancada dessa vez.

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