sexta-feira, 11 de março de 2011

P. Rocha

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Já não tenho boas palavras.
Cada manhã se torna vazia. E cada palavra dita, sem sentido.
Ando por ai procurando um rosto que eu sei que não sorrirá para mim.
E os projetos que tanto fiz questão de fazer, 
em minha mesa cheia de poeira estão.
Os papéis amassados de cartas que tentei escrever 
já não cabem mais em minha lixeira.
A porta se manteve destrancada, 
mesmo sabendo que aquele alguém possui as chaves.
Talvez eu tenha sido colocada no piloto automático, pois outro dia encontrei um manual de instruções ao lado de minha cama.
Receosa, me pus a ler. Descobri tanta coisa sobre mim mesma.


Ao fim da tarde uma angústia me toma.
E a lembrança daquele jardim que tanto cuidei, para que as borboletas pudessem brincar, me traz a nostalgia.
As palavras já não são as mesmas.
E as cores do arco-íris em minha parede, desbotadas se tornam.
Sento na varanda, naquela velha cadeira de balanço vermelha. Me ponho a esperar por alguém que eu sei que nunca virá.
E a noite chega, brincando com o sol que vai se pondo.

As primeiras estrelas começam a brilhar.
E cada vez mais a saudade de alguém bate no meu peito.
Uma louca vontade de gritar um nome.
Um nome talvez já esquecido, por tanto tempo ter passado.
O medo por chegar o amanhã.
Aquele vazio, aquela manhã árida. 
Já não encontro palavras nas quais eu possa me basear.
Talvez eu consiga sair do piloto automático.
Retorne aos meus projetos e limpe tudo.
Deixarei a porta trancada dessa vez.

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